Assuntos médicos em Campo Grande e mochilando até Corumbá

Nas próximas linhas daremos continuidade aos relatos da viagem sobre o período em que passei na cidade de Campo Grande. Nesse período minhas maiores preocupações foram encontrar um hotel onde pudesse passar os próximos dias e encontrar atendimento médico para tentar conseguir um diagnóstico para meu problema oftalmológico.

Saí de Campo Grande no final da manhã. Depois de perder muito tempo andando em sentido contrário, encontro o caminho que me levaria até Corumbá.

 

Dia 29/08/2017

Durmo e acordo umas três vezes durante a madrugada. Consegui descansar o suficiente novamente na Rodoviária. A noite foi fria mas não tanto quanto em outras. Descansei o necessário para recompor minhas energias, diferente dos outros dias, o meu corpo parece está se acostumando. Consigo dormir mais tempo e em um sono mais profundo.

Os bancos da rodoviária são bonitos e de certa forma confortáveis, tendo em vista outras pelas quais já passei, mas ficar o dia todo sobre eles e usá-los para dormir está deixando minhas nádegas doloridas, acho que está criando calos ou encravando alguns pelos.

Esse período de fome o que mais penso são nos doces e salgados das festas de aniversários, principalmente os finos, e a possibilidade de comer um prato terrivelmente grande de vatapá, caruru e arroz, com coca-cola. Não vejo a hora de consegui algum dinheiro para poder me alimentar direito.

Estou na rodoviária com fome, uma pessoa senta perto de mim com um sanduíche que a primeira vista parecia saboroso, mas quando começou a comer o cheiro de gordura bovina começou a exalar e fez minha fome passar, me deixou até mesmo um pouco enjoado.

 

Dia 30/08/2017

Recebi o dinheiro que estava aguardando e agora posso resolver algumas coisas e sair da cidade.

Primeiro vou procurar me alimentar. Vejo que na frente dela existe um lugar barato, e é onde almoço. Feijão, arroz, ovos, salada vinagrete e um palito com asas de frango. Gosto de tudo e como tudo, exceto as asas de frango, que não gosto muito.

Hoje decido ir ao médico. Vou a um hospital no centro da cidade, à noite, particular. Pergunto como faço para ser atendido pelo SUS. Eles me orientam para procurar outro setor do hospital e me indicam o caminho que devo percorrer. Aproveito e tento ser atendido pelo meu plano, mas depois de um tempo de espera é negado, o que para mim já era esperado.

Sigo para o hospital e quando lá chego me informam que está lotado, que devo procurar uma UPA. O guarda me ensina como chegar ao ponto do ônibus.

Estou sem dinheiro. Sigo suas instruções, mas vou perguntando para que lado fica o posto de saúde. Descubro que depois da rodoviária existe um. Sigo em sua direção.

Acho que em Campo Grande foi um dos lugares onde eu mais andei. Os lugares são muito distantes.

Também um desses dias fui abordado por uma senhora, que parecia ser de baixas condições financeiras e frequentadora da rodoviária (não sei o motivo) e ela me disse que eu sofri “xenofobia” quando perguntei quem disse o quê ela desconversou e seguiu em frente. Percebi que os motoboys estava com um pouco de gracinha comigo, acho que devido eu estar dormindo na rodoviária, mas não ligo para esse tipo de comentário e não me privei de continuar frequentando.

Chego lá umas 23:30 aproximadamente, faço minha ficha e fico aguardando.

Aproximadamente umas 2 horas da manhã as pessoas se cansam de esperar e começar a gravar, buscam registrar meios de provas do mal atendimento prestado pelo lugar, e duas delas estão mais exaltadas, convocam as demais para um protesto. Chamam a emissora local para noticiar o fato.

No início desse movimento começar a chamar mais pacientes, mas depois o ritmo volta para como era antes.

A consulta é iniciada no outro turno, umas 9:00 da manhã, ou seja, passei aproximadamente nove horas esperando atendimento.

Em todos os lugares em que fui atendido na viagem esse foi o que mais demorou, nunca havia esperado 9 horas por um atendimento. O que eu achei irônico foi que no balcão, onde fazemos a ficha, havia um panfleto fornecido por órgão municipal informando os cortes de gastos realizados pela prefeitura, segundo eles para otimizar a otimização de recursos.

Uma das chamadas era: “Menos gastos mais realizações”:

DSCF4607

Ela me pede um exame de sangue, eu faço e fico de pegar o resultado no outro dia.

 

Meu retorno à UPA (Unidade de Pronto Atendimento)

Novamente fui bem acolhido pela profissional de saúde, o resultado do hemograma estava dentro da normalidade, conversamos novamente sobre meus sintomas visuais e lhe mostrei uma mancha que tenho há algum tempo na região da virília, questiono se existe alguma relação, pois caso fosse hanseníase ela poderia sim estar comprometendo os meus olhos.

Ela trata como se fosse uma micose, eu acho que seja hanseníase e peço exames específicos.

Nesses últimos dias procuro um hotel. Havia me hospedado em um em um dia anterior, que não era tão bom, mas não era tão horrível, porém quando vou tentar um quarto nele ela informa que os mais baratos estão ocupados. Vou em outros lugares mas os quartos são ainda mais horríveis: fechados, com mofo, colchoes muito gastos e roupa de cama totalmente puídas.

Saindo de Campo Grande: seguindo viagem até Corumbá

Nunca tinha sequer ouvido falar nessa cidade. Durante minha estadia na capital de MS que em alguns momentos ouvia pessoas citá-la em algumas conversas, junto com a cidade de Bonito.

Diziam que Corumbá era maior, então resolvi tentar nela outro atendimento médico.

Depois de perder muito tempo e energia andando em sentido contrário à saída para Corumbá, encontro o caminho e continuo a viagem.

A saída de Campo possui uma rodovia bastante longa, e não consigo saber qual o limite da cidade, mas no meio do caminho consigo carona com uma pessoa que seguia viagem até Terreno, ela me deixa em um posto de combustíveis.

 

Reciprocidade em uma ajuda

Fiquei sentado em um banco no posto e abordava sempre motoristas que paravam para abastecer.

Recebi várias negativas pois a maioria iria para destinos diferentes.

Também pedia carona para os carros que passavam em frente ao posto.

Em um desses momentos, um deles parou e eu pensei que o motivo teria sido meu aceno, mas na verdade o carro havia quebrado.

Ele desceu do veículo e me comunicou o ocorrido, analisou a parte inferior, disse que teria de esperar o dia raiar para encontrar um mecânico e novamente ocupou seu lugar de motorista, mas agora debruçava-se sobre o volante, parecia com sono e que estava aproveitando o incoveniente para descansar.

Ofereci ajuda, disse que talvez pudéssemos concertar, embora eu não entendesse nada de mecânica, então ele resolveu tentar fazer uma gambiarra, que acabou funcionando.

Eu o auxiliava pegando as peças que precisasse e direcionando o feixe de luz para o local onde ele estava trabalhando.

Com aproximadamente uma hora conseguimos resolver o problema e seguimos viagem: eu consegui uma carona até a cidade de Miranda, bastante próxima a Corumbá.

 

 

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