Enfim, Mato Grosso do Sul

Penso que a maior parte da viagem aconteceu nas rodovias do Brasil, pedindo carrona. De fato, quando se tenta a sorte para realizar um deslocamento o trajeto fica muito mais demorado. Aqui continuaremos com a saga, relatando o que aconteceu até minha chegada no estado de Mato Grosso do Sul.

Diário de bordo: dia 26/08/2017

Durmo na Rodoviária, consigo descansar umas 8 horas seguidas pela primeira vez.

Escrevo o texto, me alimento com os comprimidos de ômega três e cloreto de magnésio. Estou sem dinheiro

É sábado, acordo cedo, faço minha higiene pessoal no banheiro da própria Rodoviária, pego minhas roupas que havia pedido para lavar e saio em direção ao meu próximo destino, sem dinheiro para transporte e comida e com apenas água e as pílulas de Ômega 3 e Cloreto de Magnésio.

Ando da Rodoviária até a saída para a cidade de Prata, pois me disseram que lá eu poderia encontrar com mais facilidade transporte para Campo Grande.

O sol me castiga, meus lábios ficam muito ressecados e descascando, tenho vontade de puxá-las devido ao hábito, mas me contenho pois sei que poderei feri-lo e complicar ainda mais a situação.

A mochila está pesada e um outro compartimento começa a desfiar próximo à costura. Penso que tenho de consertar antes que o problema fique pior.

Paro em alguns postos de combustíveis para comprar água, e vou sempre pedindo informações.

Em uma parte do trajeto consigo carona com um carro pequeno, e após chegar no local outro carro pequeno dá carona a duas garotas em um ponto antes que eu, e depois me oferece.

Permanecemos todo o trajeto em silêncio, ele me deixou na cidade e eu agradeci, o único som era do rádio do carro, que tocava músicas de uma seleção que estava em um pen drive, a maioria eletrônica e música pop, a viajem seguiu tranquila.

Logo que cheguei na cidade “Prata” fui procurar qual o melhor local para pegar ônibus para Campo Grande, me informar que perto de um trevo, sigo as orientações dadas e percebo que a rodovia por alí é pouquíssimo movimentada.

Demoro um pouco e consigo outra carona viajamos até uma cidade próxima, em frente a um posto de combustíveis grande.

 

Uma abordagem no mínimo “estranha”

O local é deserto, existe pouco movimento, inclusive de carros.

Logo que me posiciono e começo a pedir carona um senhor de bicicleta já chega para especular sobre mim. Pergunta de onde eu sou, para onde vou, eu digo, pergunta meu nome, e ele diz que é o mesmo de seu sobrinho, aí é quando ele manifesta o que realmente queria saber:

Então você já deve ter usado muita droga, não é?

Eu digo que não, que não gosto, e vou me afastando em direção ao posto, para buscar mais informações sobre aquele local.

Na volta, um rapaz passa por mim, me oferece carona, mas diz que nossos trajetos são um pouco diferentes.

Minutos depois retorna e diz que poderia me dar carona e me deixar em uma cidade próxima, chamada Iturama.

Algumas horas em Iturama

Quando chegamos nela já estava escuro, o local era amplo, deserto e pouco iluminado. Um grande trevo que comunica duas rodovias diferentes.

Depois de algumas horas pedindo carona um carro com um casal para, diz que ali é muito perigoso e se oferecem para me deixar em um posto. Conversam com um frentista e pedem para me ajudar a encontrar carona.

Depois de algum tempo para um carro pedindo informações sobre um destino, que fica depois do local para onde eu queria ir (Paranaiba, já em Mato Grosso do Sul).

Ele não parecia muito satisfeito em fornecer carona, não sabia a rota para o seu destino e perguntou se eu conhecia as redondezas, eu disse que não, então ele falou que não compensava me levar, mesmo assim mudou de ideia e me deixou entrar no carro, que por sinal era bastante confortável.

Eu estava muito cansado, não conseguia abrir os olhos direitos, dormi sentado em boa parte do trajeto, isso se repetiu várias vezes na viagem, esse e no deslocamento entre a “Rota 262” e Belo Horizonte foram os pontos críticos quanto ao sono e cansaço, até aqui.

Os últimos dias foram complicados: dormi muito na rodoviária de Uberlândia, e isso quer dizer sujeitar-se ao frio e a uma posição desconfortável (sentado no chão).

Estava com pouco dinheiro para comida, na sexta recebi R$ 50,00 que meu pai me mandou, fiz um lanche, coloquei algumas roupas para lavar, tomei um banho na rodoviária (acabei deixando lá meu sabonete, sorte que tenho um na reserva), tomei refrigerante (muito açúcar e mais energia – os contras a gente “sublima” rsrsrs), depois disso não teria mais dinheiro, dependeria do depósito de um pagamento que eu estaria esperando na segunda-feira.

 

Uma marca presente na viagem é o cansaso. Sol, poeira e suor em uma temperatura quente e seca ajudam para promover e agravar essa situação. Sei que por causa disso perdi de apreciar muitos aspectos, principalmente aqueles presentes na beira das pistas, ou que poderiam ser percebidos durante o meu trânsito entre os diferentes lugares em que passei.

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