Saída de Minas com destino à Brasília

Dia 21/08/2017

Saio de BH umas três horas da tarde, pego um ônibus para Betim, já que o centro fica longe das rodovias, e salto na BR, próximo a um posto de gasolina.

Como ficar em frente a um posto da Polícia Rodoviária Federal passa a ideia de mais segurança sigo andando até um que existe próximo.

Aguardo até que a sorte faça algum veículo parar.

Vejo que não foi uma boa ideia, pois ficava justamente em uma curva, mesmo assim, para minha surpresa, um veículo para e me oferece carona até um posto de combustíveis.

Nele onde consigo outra até a cidade de Sete Lagoas (me “deslumbro” ao ver pela primeira vez dois tucanos voando soltos na natureza, achei aquilo muito bonito!) e recebo a orientação de ir até o posto Faisão.

Pensei que ficava perto, sigo, mais uma vez, andando.

Os calos já não me incomodam mais.

Depois de aproximadamente uma hora de caminhada percebo que não há sinal do posto, estou me distanciando da cidade.

A paisagem é de campo e existem algumas pessoas caminhando, poucos veículos trafegam.

Pergunto a um senhor e ele me informa que o local fica a uns 15 a 20 quilômetros. Desisto de caminhar e começo a apelar para que algum carro pare, e em menos de uma hora consigo que alguém me deixe lá.

Fico a noite toda na BR esperando carona, o que é perigoso, arriscado e não aconselhável.

Um carro para e me deixa em um posto além, que logo iria fechar.

Fico um pouco ansioso, o lugar é escuro, mas logo um senhor para seu carro e me dá uma carona.

Quando subo logo me informa  que terá parar para dormir, eu afirmo que está tudo bem, e que vou esperar do lado de fora do veículo, caso não consiga alguma outra carona, seguirei com ele.

Nesse lugar consigo que um rapaz me leve até a cidade de Paracatu.

É de madrugada, estou perto de sair de Minas Gerais.

 

Dia 21/08/2017

Consigo uma carona em Paracatu, depois de esperar muito.

Eu havia passado a madrugada pedindo carona na BR que cruza a cidade, em vão.

Quando já havia amanhecido, mas a cidade ainda dormia, um senhor disse que estava indo para Goiania e perguntou se eu queria uma carona até próximo de Brasília.

Ele fumava.

Conversamos muito toda a viagem, me deixou em uma cidade uns 100 km antes de Brasilia, em um posto.

Perguntou se eu queria café mas eu agradeci e não aceitei.

Durante a viagem contei minha história, ele ficou curioso e se mostrou solidário também, me deu seu cartão e pediu para que eu lhe ligasse informando sobre o sucesso obtido no atendimento.

O clima era muito seco, o vento era muito frio, havia muita poeira que, junto com o suor em minha pele, me deixava muito desconfortável. Eu ansiava por um banho.

Permaneci um bom tempo na BR esperando carona, quando apareceu ele me deixou em uma cidade próxima a Brasilia.

Andei muito (muito mesmo), passei em um ASSAi, tomei iogurte e fui em direção ao um viaduto na saída da cidade, fiquei lá muito tempo, ninguém me deu carona.

Brasília: frio, calor, suor e poeira

Peguei um coletivo e cheguei em Brasília.

Sou atendido no Hospital de Base, tudo foi muito rápido, porém mais uma vez não me oferecem nenhum diagnóstico preciso, na verdade, o colírio usado deixou um de meus olhos vermelhos e com a sensaçao de que o haviam arranhado.

Peço para que essa informação conste no prontuário e sigo para o setor responsável para que me forneçam uma cópia.

Como minha pupila estava dilatada, não consigo ver o que tinham registrado nele, mas peço a uma senhora que transitava no corredor e ela me diz que não tinham registrado ali o incômodo ocular gerado após uso do colírio.

Retorno à sala da médica e depois de muita conversa ela acaba por registrar a informação de caneta, carimbar e assinar o prontuário.

Naquele mesmo dia procuro a assistente social do hospital para tentar conseguir um banho e alimento, ela me orienta a procurar o POP, que é uma casa de apoio a pessoas em vunerabilidade social, onde consigo tomar banho.

Dia 22/08/2017

Passo a noite na recepção do Hospital de Base em Brasília, no início da manhã caminho por um dos eixos, estou com pouco dinheiro e tento ir até a BR para achar uma carona, em vão, pois é muito longe.

Em contrapartida ao calor feito duranto o dia, as noites são muito frias.

Decido ir de coletivo até Felixlândia.

Peço ao cobrador para me deixar em um ponto onde tenha grande fluxo de caminhões, ele me orienta descer em um posto na entrada da cidade, assim o faço.

Depois de muito pedir carona na pista, vou no posto tentar conversar com alguns caminhoneiros, nenhum faz o percurso que eu preciso.

Decido ir caminhando.

Ando vários metros, talvez alguns quilômetros não sei, um rapaz em uma moto que parecia uma biz me oferece carona, eu explico que preciso chegar em algum posto de combustíveis, ele me deixa no mais próximo, então percebo que realmente era muito longe.

Lá uso o banheiro.

Não é um posto muito movimentado, na verdade a própria rodovia não tem muito movimento.

Vou para a BR e continuo andando.

Vejo que alguns metros à minha frente tem um carro parado.

Todos os vidros são fumês, de forma que quase não percebo quem está em seu interior. Bato em um dos lados do veículo e noto que o motorista está em uma ligação e me pede para aguardar.

Espero uns 20 a 30 minutos, então ele abre a porta e conversamos.

Ele me diz que não iria dar carona, mas como eu esperei tanto decide me ajudar.

Como era próximo das 12 horas ele parou em um restaurante, se comunica com um amigo que está em outro automóvel  e então saímos do veículo.

Ele percebeu que eu não iria almoçar e me perguntou se eu queria que ele pagasse. Sinceramente eu queria, estava com pouco dinheiro, havia comido mais cedo, porém eu fiquei com vergonha e rejeitei a oferta.

Fico na frente do estabelecimento cuidando dos meus calos, que são muitos, mas que já estão secando e não estão tão doloridos o quanto estavam quando eu fiquei em Belo Horizonte. Nesse dia tirei muita pele e meu instinto “acumulador” sugeriu que eu guardasse algumas como recordação (meio bizarro), ideia que logo foi ignorada.

Seguimos viajem.

Peço ao motorista para me deixar em um posto de combustíveis 24 horas (como de costume). Ele disse que tudo bem, e me deixa em um na cidade, onde depois consigo outra carona até chegar em Campo Alegre.

A rodovia está em obras, e para o carro não na entrada do posto, mas alguns metros, ainda na frente do posto.

Quando desço do veículo percebo que à minha direita existe um buraco enorme que estão construindo para aumentar a pista, estava escuro e por sorte não caio nele.

Nesse lugar experimento o que foi o ponto mais crítico da viagem.

 

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15 comentários em “Saída de Minas com destino à Brasília

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  1. Não imaginava como uma viagem assim poderia ser tão fascinante! Parabéns pelo blog e pela história, certamente voltarei mais para conferir suas aventuras 😉

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