Introdução (parte I)

Sempre gostei de viajar. Para mim tão bom quanto a chegada era o período na estrada, que me permitia admirar os diferentes espaços, vegetações e curiosidades que acompanham as rodovias brasileiras, gosto de me perder em meio a paisagem e os meus pensamentos…

Esse também foi um dos pontos, embora não muito relevante, que me influeciou na preparação para trabalhar em multinacionais: a possibilidade de, mesmo que esporadicamente, poder conhecer diferentes lugares e pessoas, devido a transferências cursos ou treinamentos, acho que é um senho bastante comum, principalmente entre o pessoal que faz administração ou contabilidade.

Preparar-me para esse mercado foi difícil, talvez realmente não tenha conseguido, pois o máximo que alcançava chegar era nas etapas finais das seleções que eu participava, o que algumas vezes era frustante, diante da expectativa depositada de que se conseguiria a vaga.

Mesmo que não empregado nesse local específicamente, sempre busquei, como a maioria, a tão almejada estabilidade financeira, que em meus pensamentos também viria acompanhada da possibilidade de viajar, mesmo que apenas uma vez no ano, durante as férias.

Falar de trabalho em um blog post dedicado a viagens pode parecer destoante, mas a maior parte de minha vida creditei a ele uma grande importância para o meu futuro, uma valia que as vezes não vejo em todas as outras pessoas, e como trabalho também representa ascensão social, ele está relacionado a muitos eventos que culminaram com essa minha decisão.

O motivo maior que me levou a tomar essa determinação bem como outros fatos que acho estranhos e parecem totalmente aleatórios estão mais conexos do que eu ou muitos imaginam.

Sempre passei por eles com a inocência de quem passa por um jardim florido, mas que em algum ponto do percurso descobre a toxidade de seus perfumes.

Antigamente não me questionava e achava que poderia ser normal ter tantos empecilhos em minhas conquistas. O trabalho sem o reconhecimento, a falta de credibilidade junto a pessoas próximas, situações armadas por pessoas em quem eu confiava para manchar a minha honra, o progresso de terceiros em cima da minha desgraça, e várias vezes notei que pessoas foram “presenteadas” após me colocarem em situações complicadas (sim, também achei muito estranho e até sem sentido, mas depois de um certo tempo os fatos se tornaram tão óbvios e repetitivos que mesmo que eu não quisesse não conseguiria não notá-los).

Meus pais são divorciados, cresci morando na casa de tios, em meio a uma família de“pequenos burgueses”, religiosa, gente honesta (até onde sei). Alguns conterrâneos da família paterna trabalham para o estado da Bahia, e ainda a maioria se orgulha de seu status social, pessoas que têm uma certa influência na cidade e capital.

Nas casas onde fui acolhido sempre fui bem tratado.

Apesar de alguns problemas domésticos, o que é comum, sempre recebi uma boa educação na casa de meus pais, e também nos outros ambientes da família em que transitei, mas a posição de um agregado será sempre a de um agregado, e talvez essa sina eles queiram que o “agregado” leve para o resto de sua vida.

Lembro de uma vez, quando tinha 14 anos, saí da residência de um de meus tios para a casa de outro, onde haveria mais espaço para estudar, foi uma situação conflituosa, embora até hoje o motivo de tanta discórdia para mim não ter ficado tão claro: quais eram mesmo as suas intenções comigo naquela época?

Fato importante é que, em uma oportunidade futura quando a “poeira já havia baixado”, ele me chamou e disse:

–  Está vendo, você saiu daqui e perdeu uma excelente oportunidade, hoje poderia estar trabalhando no almoxarifado da oficina ajudando a limpar as ferramentas.

(Obs.: não observava destinar atividades desse tipo  para outras pessoas da minha faixa etária e que eram mais próximas à ele – trabalhar com graxa, e óleo diesel, não me lembro muito bem o que usavam na época para evitar ferrugem nas ferramentas das oficinas mecânicas).

Outra vez, quando consegui a primeira oportunidade para trabalhar para uma empresa, mesmo sem registro, como office boy, com dezessete anos (também pelo pessoal da minha família e a eles sou muito agradecido, pois embora fosse bastante desgastantes aprendi muito lá e conheci vários setores diferentes de uma empresa) uma tia me disse:

– Você conseguiu esse emprego agora vai ficar lá até se aposentar, não é mesmo?

Nunca na minha vida eu rejeitei qualquer tipo de trabalho, geralmente fazia muitos que as pessoas evitavam, mas esses tipos de coisas me fazem perceber que as pessoas não esperavam/esperam (ou talvez até mesmo não queiram) que eu possa conquistar alguma coisa através de meus esforços.

Talvez seja ofensivo que alguém que veio de uma relação onde houve o divórcio, de um casamento tido como desestruturado, de uma família que não é o “padrão” possa ser alguém na vida (sim, também fiquei boquiaberto ao pensar nisso, pois imaginava que isso fosse “demodê”, ou não existisse mais na atual época).

Percebo que talvez para eles ou para o grupo que participam seja um pouco difícil ter alguém que consiga se desenvolver por mérito próprio, através do fruto de seus esforços, sem depender de favores, ou chegar a algum lugar através de terceiros.

Talvez eu ter sido o primeiro a ter um título de bacharel na família também não tenha sido outro aspecto muito bem aceito.

Hoje me questiono: será que o interesse maior em buscar estabilidade financeira através do comércio ou de uniões conjulgais era devido ao fato de que, independente dos esforços, iriam passar pela mesma situação que eu enfrento?

Percebo que era o seguinte: vamos explorar Mateus o quanto pudermos, e como eu sempre gostei e gosto de estar fazendo alguma coisa, então fizeram a festa. Eu pensava que certos elogios eram verdadeiros.

Não me importo com o sucesso de ninguém, mas que tipo de gente premia um terceiro caso ele faça o mal a alguém que está lutando para subir na vida com seus próprios esforços? (escrever isso me deixa triste, angustiado e decepcionado em saber que eu sempre tive estima por esses indivíduos, e que eu e meus sentimentos equivaliam a nada).

Embora rodeado de outras situações que comprometeram meus sonhos e projetos, ou até mesmo a minha vida (sim, minha vida está ameaçada), e que inclusive envolveram a maldade de pessoas próximas a mim, a decisão de sair agora da cidade onde moro e deixar meu círculo social e minha rotina, nesse momento, será algo desconfortável e decorreu de um problema em minha visão que se iniciou no início do ano.

Desde esse período estou parado, dentro de casa, no quarto onde durmo, local que considerava um abrigo e refúgio, onde realmente me sentia confortável e usava para meu ócio, porém que não gostava de passar mais do que o período necessário para descansar ou me entreter, pois sempre gostei de ter uma vida ativa, seja trabalhando ou estudando.

Não tenho um projeto para direcionar minhas ações. Não me preparei financeiramente para o percurso que pretendo seguir, na verdade nem sei ao certo qual será esse percurso. O que tenho em mente é que irei para as capitais da região sul, sudeste e centro-oeste buscar por atendimento de algum médico que possa me auxiliar na obtenção de um diagnóstico para o meu problema, e se nelas não consegui, tentar em algumas outras cidades.

Faço isso pois se trata de meus olhos. Não consegui construir um patrimônio sólido até agora, e, conforme a conjuntura, parece que se não tomar cuidado esse será mais um dos sonhos que terei de abandonar.

Também sei que é muito improvável que encontre algum médico que me auxilie, pois agora tenho muito mais certeza do nível de integração existente na classe, principalmente entre os especializados.  Aqueles pelos quais passei já devem saber qual o problema que me aflinge.

O que me move é o fato de que possuo um problema de saúde, que julgo sério, para o qual não está sendo dado o devido tratamento por aqueles que se comprometeram diante da sociedade para tratá-lo. E inclusive tenho minhas dúvidas que esse problema tenha sigo causado naturalmente, como se poderá notar nos próximos relatos.

Para ser sincero, minha visão sempre foi muito saudável, e é muito estranho que justamente nesse período tenham começado todos esses problemas, acompanhado da negativa dos médicos em diagnóstica e trata-lo, bem como alguns comportamentos suspeitos que aparentam ter a intenção não de ajudar, mas de prejudicar, bem como o contexto outrora mencionado.

Prometi que retornaria apenas se encontrasse alguém que me auxiliasse com essa questão, mas entendo que a vida as vezes nos leva por caminhos que nunca imaginávamos seguir.

Não gosto e nunca gostei de expor minha vida, sei como as pessoas são, a maioria se preocupa apenas em especular, mas agora não acho mais que eu deva guardar tudo isso somente para mim.

Ressalto que a maior parte das coisas que deixei aqui foram minhas inferências, e sobre muitas delas torço para estar enganado.

(Obs.: Também achei que o título do blog poderia ter sido melhor, mas é como dizem: “não tem tu, vai tu mesmo”)

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